As Cavernas de Longyou, também conhecidas como Câmaras de
Pedra Xiaonanhai, são um conjunto de 24 cavernas artificiais de arenito
situadas na colina de Fenghuang, perto da vila de Shiyan Beicun, no rio Qu, na
província de Chequião, na China. Descobertas casualmente por agricultores em
1992, essas cavernas foram criadas há mais de 2.000 anos sem registro em
documentos históricos. A remoção estimada de 1 milhão de m³ de detritos sugere
a necessidade de pelo menos mil pessoas cavando incessantemente por seis anos
para sua construção.
Caracterizadas por sua magnitude e engenharia
impressionante, as cavernas possuem uma área média acima de 1000 m², atingindo
alturas de até 30 m e uma área total superior a 30000 m². Suas superfícies
exibem um acabamento uniforme com faixas paralelas de cerca de 60 cm de
largura, marcadas por cinzelamento angular a 60º. A integridade estrutural das
cavernas ao longo dos séculos é notável, com sua singularidade arquitetônica e
ausência de interconexão entre elas, representando um feito espetacular ainda não
igualado por outras descobertas arqueológicas.
Os enigmas
não resolvidos das Cavernas de Longyou
A impressionante carga de trabalho necessária para construir cinco cavernas, estimando a remoção de cerca de 1.308.000 jardas cúbicas de rocha, o que exigiria 1.000 pessoas trabalhando continuamente por seis anos. Essa estimativa não considera o cuidado e a precisão dos escultores, sugerindo que o esforço real seria ainda maior. Além disso, não se sabe quais ferramentas foram utilizadas na construção, já que nenhuma foi encontrada na área, e os cientistas ainda não compreendem como foi alcançada a simetria e precisão nas cavernas.
Apesar do tamanho e do esforço necessários para a
construção de determinadas estruturas, não foram encontrados vestígios de sua
criação ou existência no registro histórico. Embora quase um milhão de metros
cúbicos de pedra tenham sido escavados, não há evidências arqueológicas que
indiquem para onde essa pedra foi, nem registros documentais sobre o projeto,
tornando sua origem um mistério total.
As cavernas são cobertas por linhas paralelas esculpidas
em suas superfícies, criando um padrão uniforme que exigiu imensa mão-de-obra e
muitas horas de trabalho. Surge a questão do propósito desse esforço: seria
apenas decorativo ou as linhas têm algum significado simbólico? Atualmente,
sabe-se que essas marcas são semelhantes às encontradas em cerâmicas de um
museu próximo, datadas entre 500 e 800 a.C.
Quando as cavernas foram descobertas, elas estavam cheias
de água, presumivelmente lá por um longo período. Após serem bombeadas,
percebeu-se que não eram como os outros "lagos sem fundo" da região,
mas estruturas feitas pelo homem. Nas aldeias do sul da China, muitas contêm
lagoas profundas conhecidas como "lagoas sem fundo" pelos aldeões,
repletas de peixes facilmente capturados. No entanto, após esvaziar a primeira
caverna, nenhum peixe ou sinal de vida foi encontrado.
Uma questão intrigante e desafiadora é como as cavernas
mantiveram sua integridade estrutural por mais de 2.000 anos. Apesar de paredes
com apenas 20 polegadas (50 centímetros) de espessura, não há sinais de
colapso, escombros ou danos. Mesmo com inundações, calamidades e guerras ao
longo dos séculos, as cavernas mantêm formas, padrões e marcações claras e
precisas, como se tivessem sido construídas recentemente.
Devido à grande profundidade das cavernas, algumas áreas no fundo, sem exposição à abertura acima, são extremamente escuras. Surpreendentemente, essas áreas escuras são decoradas com milhares de linhas paralelas nas paredes, colunas e teto. Isso levanta a questão: como os povos antigos trabalhavam nessas condições escuras? Segundo Jia Gang, professor de engenharia civil na Universidade de Tongji, deveriam existir lâmpadas, pois a luz solar seria limitada e fraca nas regiões mais profundas, afastadas da entrada. No entanto, mesmo após dois milênios, nenhum artefato de iluminação foi encontrado nas cavernas.
Todas as 36 grutas estão localizadas em uma área um pouco
maior que meia milha quadrada (1 quilômetro quadrado). Com essa densidade,
surge a questão se algumas grutas deveriam estar conectadas. Por que tantas
cavernas separadas em uma área tão compacta sem ligação entre elas? Mesmo com
paredes finas de apenas 20 polegadas entre elas, as cavernas nunca foram
interligadas, sugerindo uma separação intencional. Além disso, muitas das
cavernas são quase idênticas umas às outras.
A origem das cavernas é um mistério, pois ninguém sabe ao certo quem as construiu. Alguns cientistas sugerem que o trabalho colossal não poderia ter sido realizado por pessoas comuns da aldeia, levantando a possibilidade de que apenas o imperador e líderes poderiam ter organizado um projeto tão grandioso, similar à construção da Grande Muralha. No entanto, a ausência de registros históricos sobre a construção das cavernas levanta perguntas sobre sua verdadeira origem.
As cavernas de Longyou impressionam pela magnificência e
importância de sua escala, com um design delicado e científico, construção
sofisticada e precisão indicativa de habilidade superior. Cada caverna
apresenta um modelo, padrão e estilo extremamente semelhantes, como grandes
salões com um lado íngreme e o outro inclinado em 45₀. As quatro paredes são
retas, com bordas claramente demarcadas e marcas de cinzelamento uniformes e
precisas.
Segundo Yang Hongxun, especialista do Instituto Arqueológico da Academia Chinesa de Ciências Sociais, a precisão na construção das cavernas é notável, indicando um avançado aparelho de medida para garantir que o interior de cada caverna fosse paralelo ao da próxima, evitando perfurações nas paredes. Com métodos modernos, os pesquisadores confirmaram a precisão da construção, com paredes de espessura uniforme e precisão consistente em diferentes seções, levantando questões sobre os métodos e a tecnologia utilizados pelos construtores antigos para alcançar tal precisão.
Após extensas investigações e estudos, diversas hipóteses foram levantadas para explicar as cavernas de Longyou, porém nenhuma oferece uma explicação convincente sobre sua finalidade e construção. Algumas teorias sugerem que as grutas poderiam ter sido túmulos de antigos imperadores, salões imperiais ou locais de armazenamento, mas a falta de artefatos funerários, túmulos ou vestígios de habitação desafia essas interpretações. A possibilidade de uso para mineração também é questionada devido à ausência de equipamentos e evidências de transporte de rochas, levantando dúvidas sobre a complexa decoração presente nas cavernas.
Outra teoria sugere que as cavernas poderiam ter servido
como locais de estacionamento para tropas, mantidas em segredo por um imperador
do passado. No entanto, o longo período de construção das cavernas e a falta de
evidências de ocupação humana desafiam essa explicação. Apesar de décadas de
pesquisa, o enigma das cavernas de Longyou permanece sem uma resposta
definitiva, deixando esse feito antigo como um mistério intrigante e
inexplicável.
Edição, Ilustração e Pesquisas: Renato Galvão
![]() |
| Edição e Direção Geral Renato Galvão |








Nenhum comentário:
Postar um comentário