Amélia de Leuchtenberg, cujo nome de batismo,
em francês, era Amélie Auguste Eugénie Napoléone de Beauharnais, foi uma
princesa europeia que se tornou, por casamento realizado por procuração,
imperatriz consorte do Brasil, como segunda esposa do imperador Pedro I, após a
morte da imperatriz Maria Leopoldina da Áustria. Dona Amélia viveu no Brasil
entre 1829 e a abdicação do Imperador em 1831.
Após a abdicação de Pedro I, Dona Amélia
acompanhou o marido que se tornaria Dom Pedro IV, imperador de Portugal. Ela
ficaria viúva em 1834 e dedicou-se à educação de sua filha, Maria Amélia de
Bragança, além de atividades de caráter assistencial e religioso.
Após a morte de Dona Leopoldina, pelo "bom
nome" e pela estabilidade do Império do Brasil, era urgente que Dom Pedro
I se casasse com brevidade.
Foram enviados emissários a Europa em busca de
uma noiva entre as ilustres casas europeias. As exigências do noivo (conhecido
por sua má fama conjugal, temperamento devasso) pouco a pouco foram se
restringindo. Ele não tinha "cacife" como homem e como imperador
"no fim do mundo" para tantas exigências.
Em "Imperatriz no fim do mundo: memórias
dúbias de Amélia de Leuchtenberg" (1992), Ivanir Callado ficcionaliza a
relação amorosa que se dá entre o recém formado casal.
Tratam-se de "memórias póstumas" de
uma personagem forte e apaixonante, que foi relegada ao segundo plano pela
História: Dona Amélia.
Há um resgate, pela perspectiva de Amélia, do
Brasil da primeira metade do século XIX, uma imperatriz que modificou um grande
número de hábitos da Corte, impondo-lhe, por exemplo, o francês como língua
oficial.
Há uma história que, entre hilária e
elucidativa dos costumes da Corte/da vida cotidiana do Rio de Janeiro, sempre
me chamou a atenção.
Dona Amélia detestava o calor dos trópicos, mas
detestava mais ainda o mau cheiro que exalava das fezes de nobres, plebeus e
escravos espalhadas pelos jardins e arredores do Palácio.
Segundo consta, a Imperatriz era obcecada pela
plantação de jasmins, que, com o seu perfume, deveriam mitigar o repulsivo
cheiro, que enfestava o Palácio.
Nota: não nos esqueçamos que o último baile da Ilha Fiscal, realizado em 9 de novembro 1889, reuniu entre 3 e 4 mil pessoas, na pequena Ilha Fiscal, para homenagear oficiais da Marinha do Chile e comemorar as Bodas de Prata da Princesa Isabel. Chama-se último baile, porque, seis dias depois, seria proclamada a República e a família imperial seria destituída do poder e exilada. O que é relevante pensar no contexto da aversão de Dona Amélia ao mau cheiro em torno do Palácio? Durante a noite inteira, no baile da Ilha Fiscal, as pessoas comeram, beberam, dançaram, mas não havia banheiros no local.
Ilustração: Jornal e Livraria Rio de Flores
Elaine dos Santos. Natural de Restinga Seca/RS. Licenciada em Letras – Língua Portuguesa e respectivas literaturas; Mestre em Estudos Literários com temática voltada para o estudo do mito do gaúcho; Doutora em Estudos Literários com pesquisa na área da cultura popular, contemplando o melodrama e o teatro itinerante. Autora do livro “Entre lágrimas e risos: as representações do melodrama no teatro mambembe” (2019), adaptação da sua tese de doutorado, e do livro “Coisas Minhas Outras Histórias” (2025), conjunto de crônicas esparsas. Professora universitária aposentada, atuando principalmente nas disciplinas de Literatura Brasileira, Literatura Sul-RioGrandense, Metodologia de Pesquisa, Metodologia de Ensino. Cronista, com participação em cerca de 140 antologias. Antologista (organizadora de 8 antologias por editoras diferentes). Revisora de textos acadêmicos (projetos, artigos, monografias, dissertações, teses).
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