Por muito tempo, em muitas circunstâncias me vi preso na ideia de fechar os olhos hoje e acordar daqui uns 30 anos no futuro, ou imaginando o que teria feito se tivesse feito algo diferente 30 anos atrás. Piscava os olhos repetidamente, imaginava outras realidades, como se magicamente algo fosse se cumprir e mudar o curso do rio que estava destinado a ser rio, porque era o rio do tempo.
Em algumas entrevistas de emprego eu, ainda sem ter ideia do que objetivava ser na vida, ouvia a seguinte pergunta "Onde você se vê daqui 5 anos?", eu claramente não tinha uma resposta, mas queria solucionar a questão, estar em uma posição maior na empresa em que estava tentando a vaga, mas muitas eram as barreiras que me impediam a ver onde estaria nos tais anos. Minha experiência era notoriamente menor que a dos demais participantes, eu ainda era alguém que estava no mercado de trabalho buscando uma vaga apenas para ter um salário e só. Onde será que eu queria estar daqui 5 anos? Não sabia nem por onde começar.
Passei muito tempo da minha vida querendo estar em um hoje que não era hoje, passando por momentos de ansiedade e possível depressão porque o hoje que eu objetivava não era o hoje onde meus pés estavam fincados, meus "hojes" estavam fincados em lugares em que eu não fazia a menor ideia de como fazer para chegar. Uma trilha sem um mapa, um destino sem movimentos que fossem claros para me levar até o hoje. Perdido entre o passado e o futuro, meus hojes se resumiam a se conformar com uma realidade traçada do começo ao fim, seja por não acreditar em uma possibilidade de criar algo novo ou por não ser merecedor de algo melhor.
Hoje, eu entendi que é apenas neste exato e breve momento que eu posso construir o meu amanhã, seja porque amanhã também será hoje, assim como ontem também foi hoje, mas somente no momento presente e consciente é que posso modificar o que quero em mim para chegar ao objetivo real, esperado e palpável. Depois de tropeços e quedas, aprendi que não basta piscar os olhos, mas é preciso ir além, sonhar com um amanhã melhor, tirar lições do que vivemos no passado, e precisamos colocar em prática o ato de viver plenamente o hoje, ainda que a mente divague, só estando plenamente no agora é que podemos alcançar os próximos 5 ou 30 anos, não apenas piscando os olhos, dormindo ou imaginando ansiosamente que algo aconteça.
O hoje, depende das minhas atitudes, para que eu me torne melhor amanhã e alcance com trabalho e dedicação um lugar melhor dentro da própria existência.
Antes de acabar o ano e pensar em promessas que quase sempre se quebram, pense no que é possível ser feito hoje, metas de curto prazo que podem ser cumpridas, metas de médio prazo que dependem de algo que você tem para investir, assim, consequentemente, a longo prazo chegaremos em um amanhã de 5 ou 30 anos, talvez melhor do que imaginamos.
PedroGarrido é pedagogo, poeta, escritor e palestrante de São Gonçalo - RJ.
Participou de diversas antologias e eventos literários nacionais e internacionais,
além de ser membro de três academias literárias e de coletivos culturais. Em
janeiro de 2021, lançou seu primeiro livro de poemas, "(Uni)Verso".
Até agora, publicou quatro obras individuais: "(Uni)Verso" (2021),
"duo" (2022), "Teshuvá" (2022) e "Pedrinho e o Cão
Brabão" (2023). Também é o criador e produtor cultural do sarau
(Uni)versos Livres, realizado mensalmente na Casa de Cultura Heloísa Alberto
Torres, em Itaboraí.

Direção Geral
Renato Galvão

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